2021-06-10

Nuno Dias premiado em concurso Demon Slayer

O jovem ilustrador Nuno Dias foi premiado com o 3º lugar no concurso “Demon Slayer/Kimetsu No Yaiba – O Filme: Comboio Infinito,” promovido pela Comics Jankenpon e Editora Devir.

O concurso, que também consagrou Inês Infante (1º lugar) e Gabriela Sá (2º lugar), mais Ana Monteiro (4º lugar) e Daniela Costa (5º lugar), desafiou à criação de uma ilustração
fan-art alusiva à manga/anime, criada por Koyoharu Gotouge entre 2016-2020, tendo a criatividade da peça e a técnica demonstrada sido factores para as atribuições.
O desenho do Nuno foi criado em formato digital, incluindo trama de ziptones.

2021-06-08

Leitura Tágide 4: Monsters

Monsters - A lição de banda-desenhada do mestre Barry Windsor-Smith

Produto da imaginação, talento, ofício e persistência do autor de banda-desenhada britânico Barry Windsor-Smith,
Monsters, ao longo das suas 360 páginas, explora a forma como os efeitos perversos da violência se repercutem ao longo de gerações, afetando não só as vítimas diretas, mas também as que se encontram mais distantes, no tempo ou no espaço. Desenvolvida ao longo de trinta e cinco anos, esta é daquelas bandas-desenhadas que foi ganhando perfil de lenda muito antes do anúncio final da sua publicação num único volume. Não irei aqui entrar em muitos pormenores acerca da produção deste livro, mas posso referir que a sua origem se reporta a meados da década de 1980, quando o autor colaborava com a Marvel Comics. Na época, Windsor-Smith começou a trabalhar em Thanksgiving, uma história de 23 páginas que exploraria os traumas de infância de Bruce Banner como possível origem secreta do Incrível Hulk. Segundo o autor, originalmente era seu desejo conferir alguma profundidade emocional ao Hulk, uma personagem icónica por quem, o seu irmão mais novo, com Síndrome de Downe, nutria particular afeto. Entretanto, sem conhecimento do autor e antes que a banda-desenhada estivesse concluída, a sua ideia foi publicada pela editora sob autoria de outros, levando ao desentendimento de Barry Windsor-Smith com a Marvel. Nas décadas volvidas, o autor continuou a desenvolver esta banda-desenhada, acrescentando-lhe pranchas, explorando personagens e ramificações da história, transformando-a numa obra própria e independente, sem referências diretas às suas origens e com a ambição de um romance literário. O resultado é um livro adulto e perturbador que, apesar de deixar vislumbrar perfeitamente as suas raízes, está muito longe dos registos infanto-juvenis de ação e aventura do super-herói onde se originou.


Num resumo muito simples e que não faz, de todo, justiça à sua complexidade narrativa e dramática, o livro vai-nos apresentando as consequências e as causalidades por trás da tragédia anunciada nas primeiras pranchas, o espancamento brutal de Bobby Bayley, um menino de oito anos, pelo seu pai, um veterano de guerra, em 1949, que lhe deixará cicatrizes físicas e psicológicas para o resto da vida. Após a cena inaugural, traumática e incontornável, à qual o livro acabará por retornar, dá-se um salto cronológico até 1964, seguindo um jovem Bobby Bayley, que se apresenta como voluntário para o exército norte-americano. Recrutado pelo sargento MacFarland, um militar afro-americano que acabará por desempenhar um papel fundamental em toda a trama, o jovem é encaminhado para um projeto militar secreto, fruto da integração da ciência nazi na sociedade norte-americana, à semelhança da Operação Paperclip, que o transformará irremediavelmente num monstro. Assombrado por visões do destino horrendo de Bobby, mas incapaz de perceber o elo profundo que os une, MacFarland procurará a todo o custo remediar os efeitos das suas ações, mesmo que para isso tenha de sacrificar a sua própria família...

Após a trama de suspense da primeira centena de pranchas, a narrativa prossegue focando-se na vida pessoal dos membros da família Bayley em diferentes momentos e regredindo no tempo, apresentando um mosaico de profundo humanismo e detalhe, num crescendo de dor e sofrimento, até culminar num brilhante
götterdämmerung da Alemanha nazi, antes do epílogo agridoce e possível. Ao explorar esta temática complexa, Windsor-Smith acaba por reconhecer, enquanto autor, a incapacidade humana em encontrar uma resposta para o mistério da iniquidade, nunca chegando a resolver o enigma da origem do mal. No fundo, todos nesta narrativa, em menor ou maior grau, acabam por demonstrar alguma monstruosidade, por fora ou por dentro. No entanto, à boa maneira hippie, o autor conclui o livro apresentando o amor como único caminho para uma possível redenção.


Talvez a referência mais acessível para o grande público perceber o género em que Monsters pode ser inserido enquanto história, seja o trabalho do escritor Stephen King, amplamente divulgado não só pelos livros, mas principalmente pelas suas ubíquas adaptações aos meios audiovisuais. À semelhança de King, mas utilizando a BD em vez da prosa como meio de expressão, Barry Windsor-Smith desenvolve aqui uma obra que: integra elementos como a composição cuidada e rica das personagens, do tempo e do lugar num modo naturalista; revela um certo fascínio pela chamada Americana, patente nesta obra, por exemplo, nas referências aos próprios comic books, a Norman Rockwell, a Andrew Wyeth ou às small towns iconizadas pelo cinema de Hollywood e pelas séries de TV; apresenta o sobrenatural como uma das forças motrizes da trama, através de personagens com capacidades paranormais e a proliferação de coincidências e sincronismos inesperados. Finalmente, tal como em King, sobre toda esta tapeçaria paira, como uma nuvem escura e densa, o mal, representado pelas forças militares e serviços secretos norte-americanos, pelos horrores da eugenia, pela violência doméstica ou pelo nazismo. Não creio que King seja uma influência consciente no trabalho de Windsor-Smith, mas é o atalho mais fácil para retratar um pouco esta história para um público alargado. Na prática, estas semelhanças serão mais devidas ao facto de ambos os autores serem baby boomers, produtos de um determinado zeitgeist e com influências comuns.

Na minha opinião, o grande trunfo desta obra é o desenho, como naturalmente seria de se esperar numa BD. Feita integralmente a preto e branco, sem tons de cinza, tramas decalcadas ou digitais, o leitor vê-se face a face com um desenho sem filtro, como se estivesse a olhar para um manuscrito. Esta frontalidade produz um efeito de intimismo, que reforça o caráter humanista da história narrada. Barry Windsor-Smith deslumbra ao explorar ao máximo os limites do desenho, do rigor, do pormenor, das texturas e do claro-escuro, num registo a tinta, preto/branco, esbanjando virtuosismo. Estamos diante de um registo que quase se poderia epitetar de académico ou clássico, sem, no entanto, deixar alguma vez de ser banda-desenhada. A diagramação inteligente e adequada a cada sequência da história, a profusão de omonatopeias e o uso inteligente e adequado dos balões de fala enquanto dispositivos de direcionamento do sentido de leitura ao longo das pranchas, deixam sempre bem patente que, independentemente das suas influências vindas da pintura ou do desenho académico, Barry Windsor-Smith é, e continua a ser, um herdeiro da tradição dos
comic books segundo Jack Kirby.

Para terminar, devo dizer que normalmente não me comovo facilmente com a leitura de livros de BD. Aqueles que me conhecem pessoalmente sabem que tenho uma profunda paixão pela banda-desenhada, mas, regra geral, a minha fruição deste meio de expressão concentra-se mais em aspetos formais ou estéticos. Contudo, surpreendentemente e contra todas as minhas próprias expetativas, no final, Monsters conseguiu o improvável: comover-me. E muito. Obrigado, Barry Windsor-Smith.

Pedro Cruz

2021-06-06

Tágide: Heróis Portugueses XXV

Na recta final para concluir esta iniciativa com 100 heróis portugueses de banda desenhada, hoje destacamos três novas personagens de décadas diferentes:

A repórter Dorita (ilustrada por Mário André), de José Vilhena, foi criada em 1974 para a revista satírica Gaiola Aberta, produzida e editada pelo prolífico pintor e ilustrador. A curvilínea Dorita, uma "mulher da vida" com curiosidades sócio-politicas, surge em inúmeras sequências de humor de duas páginas, intituladas "Dorita e as suas Sondagens", sendo por vezes também figura de capa. A personagem acompanha o autor noutros títulos, tais como O Fala-Barato, O Cavaco, O Marginal, O Moralista, e ainda a 2ª série de Gaiola Aberta.


O Pirilau (ilustrado por João Raz), de José Cottinelli Telmo – famoso arquitecto, realizador, actor, músico, cenógrafo, autor de BD e ilustrador –, surgiu em 1920 no Magazine ABC, com "As Aventuras Inacreditáveis – e com razão – do Pirilau que Vendia Balões", cujo sucesso propiciou a edição da revista infantil ABCzinho, gerida pelo próprio. A revista duraria até 1929, devido ao seu enorme sucesso, onde o autor assinava como "Tio Pirilau". Em 1999, a Baleiazul/Bedeteca de Lisboa publicam a colectânea monográfica O Pirilau que Vendia Balões é Outras Histórias.



Por último, eis a Alice (ilustrada por António Coelho), de Luís Louro, surgida em 1995 no álbum Alice na Cidade das Maravilhas. Reeditada quatro vezes até ao final da década, a obra esteve esgotada até 2020, aquando a Ala dos Livros lança uma edição comemorativa do 25º aniversário. Visualmente, Alice tem também partilhado a Lisboa d'O Corvo (outro herói do autor), através de cameos.

2021-06-02

José Bandeira assina BD de Aurora Boreal

O projecto de álbum de BD antológico, Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, do autor José de Matos-Cruz, tem vindo a fazer destaque às várias obras curtas que irá publicar, alusivas àquela cósmica heroína. A obra concluirá a saga de Aurora Boreal (2018-2020) com uma adaptação desta das páginas de prosa ilustrada para os quadrinhos da banda desenhada, tal como havia sido feito com o herói Infante Portugal (2017), e desde Março que o blog do autor, Imaginário-Kafre, tem vindo a referir as BDs editadas previamente e os seus autores, entre os quais se contam dois nomes familiares.

Agora, a rubrica Aurora Boreal em Quadradinhos passa a fazer antevisão das novas histórias, inéditas, actualmente a ser produzidas, e que trazem para este universo ficcional lusitano alguns novos autores. O primeiro dos quais é o José Bandeira, que contribui com uma BD onírica e misteriosa, que cruza a titular Aurora Boreal com o enigmático poeta Álvaro Pessoa, cujas aptidões secretas e espectrais o José explora na sua história, que terá também a participação de José de Matos-Cruz no argumento.
Mais informações AQUI.

2021-05-31

Mário André prepara A Implosão!

Carinhosamente apelidado entre os seus colegas do colectivo Tágide de “mais velho novo autor da BD portuguesa,” Mário André, autor-editor do selo Kustom Rats, irá lançar-se como autor de novela gráfica este ano, após testar a sua criatividade narrativa em diversos fanzines. Reconhecido pelo seu percurso como enfermeiro da Selecção Nacional de Futebol e também no Sporting Club de Portugal, o Mário retomou a paixão pela BD na sua 3ª idade, demonstrando um ímpeto criativo invejável e uma sólida missão interventiva. Nesta primeira entrevista no blog Tágide, vamos procurar conhecer melhor o autor e o seu novo projecto.


Tágide: Mário, o que te motivou a dedicar a tua aposentação a um modo artístico como a Banda Desenhada, tão afastado da tua antiga profissão?
Mário André:
O meu gosto pela BD surge em sequência de viver perto de alguém que era uma coleccionadora compulsiva de BD. Por volta dos anos 60/70, tinha acesso a todas as edições de banda desenhada distribuídas pela Agência Portuguesa de Revistas. Pautavam-se, na altura, títulos como o Mundo de Aventuras, Cavaleiro Andante, Condor, Falcão e tantas outras. Era fácil para mim levar para casa uma “braçada” de revistas, que devorava rapidamente, voltando à carga logo de seguida. Juntando a isto o gosto pelo desenho e algum “jeito,” que me vinha de meu pai, isto foi deixando em mim o “bichinho.”

O Curso de Enfermagem virou o meu foco e a opção pelo exercício da profissão no contexto do Desporto ainda complicou mais as coisas. Era um tempo de total dedicação física e mental, não havendo espaço para outros interesses. Mas o gosto estava lá.
Veio a aposentação, e o tempo agora sobrava, mas faltavam os saberes, os suportes técnicos. É aqui que surgem as formações na Nexarte, através de Pedro Moura, no Museu Bordalo Pinheiro, através de Penim Loureiro, e na Câmara Municipal do Montijo, com o 1º curso Iniciação à Arte Sequencial, coordenado pela Susana Resende. A partir daí deu-se o início a mais uma aventura: ouvir críticas, receber conselhos, enfim, procurar melhorar. Era o início da minha terapêutica ocupacional na aposentação.


T: O que mais te atrai e desagrada na banda desenhada?
MA:
Atrai-me a possibilidade de criar algo que tenha vida e não somente letras. Algo que se pareça com cenas vivas e que leve as pessoas a pensar e a compreender os conteúdos de uma forma dinâmica, em que o uso da imagem surge como um factor facilitador e de atracção para essa compreensão. Exaspera-me que a Nona Arte seja considerada uma área menor no contexto das Artes, e especificamente da Literatura. Desencanta-me que artistas de grande qualidade não consigam viver da sua produção, estando somente esse lugar reservado a uma minoria (ainda bem, apesar de tudo). Exaspera-me que nos programas escolares pouca ou nenhuma importância se dê à BD e ao seu papel no processo de aprendizagem, não só na sua área específica mas na transversalidade que a mesma pode proporcionar.

As coisas irão melhorar. Cada vez surgem mais autores e obras de melhor qualidade. O futuro parece não meter medo mas a evolução é muito lenta.



T: Para além de teres frequentado formações e criado trabalhos curtos em BD, também optaste pelo percurso de editor independente; porquê?
MA:
Em relação à edição de fanzines, foi o corolário lógico de quem vai criando coisas que, contendo uma mensagem, seria uma pena não ser transmitida (na minha perspectiva). Daí até à edição do Doce Êmese Canibal, o primeiro dos fanzines que publiquei, foi um passo. Mas foi também um grito de Liberdade!… Liberdade de expressão e de pensamento na sua forma mais pura. Foi a materialização daquilo porque tinha lutado sempre. Nesse sentido, também acho importante que os programas escolares devam incluir a criação de fanzines de múltiplas temáticas. Seria um extraordinário estímulo à aprendizagem dos jovens, incluindo a da própria cidadania.


T: À ocupação de autor/editor independente, também te aventuras em concursos. São um factor de motivação?
MA:
No começo foram os fanzines, mas logo de seguida vieram os concursos e o primeiro foi o de Lausanne. Ao participar em concursos, os resultados foram sempre questões secundárias, mas funcionaram sempre como um desafio com metas claras: o tema, os prazos, o número de pranchas, etc. Foi isso que me ajudou a disciplinar a criação e a manter a sua continuidade. Foi uma experiência muito importante, nas qual gosto participar sempre que possível, tendo sido recompensado com duas menções honrosas até agora.



T: Depois desta introdução na comunidade de BD, desafiaste-te a criar uma novela gráfica. Porquê escolheres este tema, da banda desenhada de intervenção (política)?
MA:
Entendo que toda a produção literária não deve ser uma coisa inócua. Não deve ser “conversa mole.” Tem de transmitir algo, tem de transmitir valores, tem de ser uma mais-valia. Todos os temas são possíveis, desde o amor à política, do mais onírico ao mais real, e até a própria arte com que o autor construiu o seu livro. No meu caso, optei pela intervenção política, fruto das minhas vivências culturais e pessoais. O Estado Novo marcou a minha família e a mim, atropelou as Liberdades de todos nós; tempos de miséria, exploração, ditadura, que nos deixou as suas marcas. Entendo que transmitir a mensagem para que vivamos num mundo mais livre e mais puro, com relações de maior respeito entre as pessoas, é um dever e uma obrigação. Foi este o caminho que escolhi.

Antes de 1974, pintava paredes e lançava panfletos. Hoje, pinto papel e lanço fanzines!... Não falo ainda em lançar livros, mas espero lá chegar.


T: Porque motivo te interessou em específico adaptar este ensaio, “A Implosão!”, de Nuno Júdice?
MA:
O primeiro contacto com o livro foi a atracção pela capa, depois o autor – um poeta dos mais importantes no nosso país, reconhecido internacionalmente – e, finalmente, numa breve leitura ao seu conteúdo, constatei que a narrativa de Nuno Júdice reflectia a sua angústia pela situação que se vivia então no nosso país. E eu partilhava as mesmas interrogações.

A leitura do livro foi feita de uma só vez e nele encontrei vivências que me eram próximas. Era linguagem de quem viveu lutas anteriores e com quem me identificava. Transmiti isso mesmo ao autor. Até parecia que eu fazia parte daquele mundo...
A concordância de Nuno Júdice nesta adaptação, as sua opiniões, as correcções, os seus incentivos, a sua visão de quais os caminhos que o livro poderia percorrer, levaram-me a acreditar ser possível e importante terminar o projecto. Comecei a imaginar o desenrolar da acção, vinheta a vinheta, imaginei cenários e planos, e o respeito sagrado pelos diálogos muitas vezes demasiado compridos para uma normal página de BD mas impossíveis de alterar ou suprimir.


T: Como foi a experiência de produzir uma novela gráfica, após criares apenas BDs curtas?
MA:
Parece algo difícil mas para mim foi fácil, talvez pela minha identificação com o tema. E assim foi, prancha a prancha, até ao desfecho final. Uma novela gráfica no meio de BDs curtas… Não foi uma opção deliberada foi antes a consequência de algo que me surgiu e que comigo se identificava profundamente, e que entendi que poderia dar o caminho de novela gráfica e com isso a possibilidade de chegar a outros leitores, quiçá mais novos, a quem a mensagem contida seria importante para uma maior consciência do que os rodeia em termos históricos e políticos.

E vou-me repetir: foi para mim muito importante sentir-me personagem daquela narrativa. Tudo o resto fluiu naturalmente.


T: Quais são os teus planos para a publicação da obra?

MA:
Na minha perspectiva, seria uma pena que o projecto ficasse na gaveta, mas também reconheço que para a sua edição as exigências serão muitas e eu talvez não tenha atingido esses patamares. Mas aqui, o apoio da Susana Resende e do Daniel Maia têm sido inexcedível. Eles têm contribuído activamente para que o projecto venha a ter a sua publicação. Não sei como lhes agradecer.
Será possivelmente uma auto-edição. O meu desconhecimento do trabalho com a tecnologia digital é um obstáculo à qualidade do mesmo e aqui os colegas do colectivo Tágide serão o segredo que me ajudará a ultrapassar estes escolhos. Durante o 2º semestre e possivelmente aproveitando os festivais de BD que se venham a realizar, o livro irá ser apresentado. Aguardo ansiosamente por essa data!


T: Pretendes continuar a desenvolver obras no formato de novela gráfica ou vais regressar às bandas desenhadas curtas?
MA:
Em relação ao futuro e após a aquisição das ferramentas digitais, estou a iniciar um novo ciclo, muito atrasado mas julgo que ainda a tempo. Uma nova novela gráfica está já terminada e será novamente uma adaptação de uma obra portuguesa de relevo, desta vez por Fernando Pessoa, cuja bibliografia considero ser pouco explorada no mercado de BD. Será a minha primeira tentativa do uso das ferramentas digitais para completar o projecto. Neste caso, vou contando com a preciosa ajuda
do autor João Raz e da autora Patrícia Costa, para me ajudarem a ultrapassar as barreiras tecnológicas.
Futuramente. vale tudo. Fanzines, BDs curtas, esboços, novelas gráfica, exposições etc… basta um clic! Agora, o tempo dá para tudo, só que tem de ser com alguma rapidez pois ele não é eterno.
Sinceramente espero que tudo isto tenha um final feliz. Ficarei eternamente agradecido a todos os que me ajudam nesta aventura em que um velho de 64 anos se meteu. Obrigado a todos!


A Implosão!, de Mário André, baseado no livro de Nuno Júdice, será apresentado no 16º Festival Internacional de BD de Beja '2021.

2021-05-27

Exposição A BD Portuguesa é Super! no CPBD

Depois de integrar o 10º Brussels Comic Strip Festival, em 2019, e de transitar para a Bedeteca de Beja, no final do mesmo ano, a exposição colectiva “A BD Portuguesa é Super! - Super-heróis, ficção científica e mundos pós-apocalípticos...” estará agora patente na galeria do Clube Português de Banda Desenhada, na Amadora (antiga sede do CNBDI), retomando assim as actividades culturais nesta área, na “capítal da BD” portuguesa. Junto aos autores André Lima Araújo, Daniel Henriques, Eliseu Gouveia, Filipe Andrade, João Lemos, Jorge Coelho, Miguel Mendonça, Miguel Montenegro, Nuno Plati, Ricardo Tércio e Ricardo Venâncio, o autor montijense Daniel Maia apresenta duas pranchas das obras O Infante Portugal (2017) e Co.Br.A. (por editar em 2021), escritas, respectivamente, por José de Matos-Cruz e Marco Calhorda.
A exposição é inaugurada dia 29, Sábado, às 16h00, e dura até 14 de Agosto. As entradas são limitadas a 4 pessoas, de acordo com as normas da DGS (até indicação do contrário), e são possíveis entre as 16h-19h de sábados.

Estará igualmente patente a exposição retrospectiva “José Ruy e os Quadrinhos”, deste mestre da cidade Amadora.

Morada: Avenida do Brasil n52, Amadora.

2021-05-15

Tágide: Heróis Portugueses XXIV

Chegamos a Maio com mais um trio de heróis nacionais, que levam a iniciativa Heróis Portugueses a 90 personagens de BD celebrados!


Começamos pela BoneCrush, de Selma Pimentel (ilustrada por Filipa Lopes). Uma das raras personagens de influência manga da BD portuguesa, a BoneCrush foi desenvolvida pela autora para diversas ilustrações de portfólio e estreada em BD no fanzine
All-Girlz Banzai!, em 2009. A personagem regressou em 2012 na antologia Zona Nippon 2 e foi planeada uma terceira BD, no BDjornal, em 2014, antes do seu cancelamento. Quanto ao Xatoman, de Álvaro Santos (ilustrado por Patrícia Costa), foi criado em 2001 para a rubrica "Heróis do ano 3000" do fanzine Tertúlia BDzine, nos #42 e 50. Xatoman – "o super-herói mais chato que a própria sombra" – saltou depois para o BDjornal #7, em 2005, para nova BD curta, também mantendo desde cedo presença online num website próprio, com vários conteúdos originais.
Por último recordamos Medusa 31, de Eliseu 'Zeu' Gouveia (ilustrada por Daniel Maia). O álbum de estreia do autor, em 1996, Medusa 31 – Nec Pluribus Impar, teve sequela em 1998 com Cidade Situada, porém inédita devido à separação dos sócios da editora, Pedranocharco. O vol.2 foi considerado para publicação noutra editora em 2002, mas inviabilizado pelo extravio de páginas do vol.1; a obra esteve acessível online temporariamente no website DeviantArt.
 

2021-05-11

Sérgio Santos escreve para ACBD

O projecto ACBD, promovido pela Associação Tentáculo e coordenado por Marco Fraga Silva, que desafia diversos autores a produzir uma interpretação sua do argumento de página auto-conclusiva, disponibilizado para todos os participantes, contou em Março/Abril com o argumento de Sérgio Santos. O objectivo da iniciativa, para além de estimular a criatividade na comunidade de banda desenhada, é também demonstrar como as visões criativas divergem entre autores e como o poder transformativo das conceptualizações de cada qual podem conduzir a obras diferentes.

O texto, "Ignóbil Patife," de cariz interventivo e surreal, teve oito interpretações gráficas, pelos autores Antonella Antonioni, Beatriz Soares, Bruno Maio, Diogo David, Filipe Duarte, Nietzche Pop e Mário André. É deste último, colega co-fundador do Tágide, de quem partilhamos a prancha de BD...


2021-05-09

Daniel Maia e Susana Resende ilustram Conan

Será já na próxima semana que a editora Saída de Emergência lança a antologia de Robert E. Howard, Os Contos mais Épicos de Conan. O livro, que foi adiado da edição em 2020, vai finalmente estar disponível em livrarias, reunindo muitos dos mais populares contos curtos e novelas do popular bárbaro Cimério, contando com ilustrações por 23 autores portugueses. Entre estes constam Susana Resende, que ilustra “Bandidos na Casa,” e Daniel Maia, que ilustra “Pregos Vermelhos”, o último conto escrito de Conan e o único publicado postumamente.

O lançamento da antologia terá lugar no auditório da Fnac Chiado, onde estará patente uma pequena mostra com os trabalhos gráficos, durante Junho e Julho. Uma digressão desta exposição está também a ser equacionada para outras lojas da Fnac distribuídas pelo país, incluindo Porto, Coimbra e Algarve.

2021-05-05

Dia Internacional do Livro 2021

No passado dia 23, a Biblioteca Municipal de Alpiarça voltou a convidar os autores Daniel Maia e Patrícia Costa para se juntarem ao autor local Mário André, para juntos celebrar o Dia Internacional do Livro. Através de um breve colóquio online, os artistas reflectiram sobre as suas edições recentes em BD e sobre o actual estado do sector editorial, no mundo pós-pandémico. Aqui ficam fotos do encontro...

2021-05-02

Daniel Maia revela Co.Br.A.

O autor Daniel Maia revelou em Dezembro o seu próximo álbum de banda desenhada, Co.Br.A. – Operação Goa. A obra, escrita por Marco Calhorda, é baseada em factos verídicos da História nacional e relata as manobras de espionagem realizadas por uma agência secreta para assegurar a libertação dos prisioneiros de guerra portugueses nas mãos do exército Indiano, após a tomada de Goa, no começo da década de 60.


O novo álbum é o 1º volume de uma nova colecção e foi originalmente antevisto em exposição no 10º Brussels Comic Strip Festival e no 31º Amadora BD, estando previsto o lançamento no final do verão. Entretanto, o 2º volume será publicado em 2022.


Aqui ficam algumas amostras que têm sido partilhadas online. Podem seguir mais informação sobre o projecto em CobraOp.


2021-04-30

Tágide: Heróis Portugueses XXIII

Fechamos Abril com mais um punhado de heróis, cada qual realizado numa técnica diferente. Desta vez as personagens homenageadas são:

Ranger (ilustrado por José Bandeira), criado pela dupla Jorge Magalhães (argumento) e Augusto Trigo (desenho), em 1984. Originalmente publicado sob o título "Kumalo - A Vingança do Elefante" na revista O Mosquito #1-6 (vol.5), concluída em 1985, a BD levou à consagração do desenhador com o Troféu O Mosquito para Desenhador Revelação de 1984, atribuído pelo Clube Português de BD. A obra foi posteriormente colorida e publicada em álbum pela Meribérica/Liber em 1988, passando o título a figurar os heróicos Ranger (guarda-florestal). O álbum foi exposto em 2016 na mostra consagrada à dupla de autores, na Bedeteca da Amadora.

Por altura do aniversário do nascimento do mestre Artur Correia (1932-2018), recordou-se o seu herói D. João (ilustrado por Susana Resende), protagonista da série As Aventuras de D.João e Cebolinha, estreada em 1956 na revista Cavaleiro Andante #220-234. Uma das mais icónicas criações do autor, a série foi reeditada em 1980 na revista Mundo de Aventuras e compilada em 1985 pela editora Futura na colecção Antologia da BD Portuguesa.


Por último,
celebramos Rui Brás, o detective da PIDE e herói d'O Baile, por Nuno Duarte (argumento) e Joana Afonso (desenho), criado em 2012. O álbum, publicado originalmente em tiragem limitada, recebeu duas reedições com material extra e foi premiado com várias distinções nacionais. Mais recentemente, a obra foi também editada em inglês e polaco.

2021-04-28

Outras Bandas #4 nomeado no 3º Prémio Bandas Desenhadas

O portal Bandas Desenhadas arrancou com as 1ªs nomeações para o seu 3º prémio de mérito a obras e autores publicados em Portugal, e o Outras Bandas #4 (Fevereiro) foi seleccionado para finalista na categoria Melhor Antologia e finalista em Melhor Obra Curta em Antologia, para Menino Perdido, de Susana Resende. Desde já, agradecemos ao júri do prémio pelo reconhecimento.


Estas nomeações somam 6 destaques ao título na comunidade de BD portuguesa, após o Outras Bandas ter sido nomeado em Melhor Publicação Independente e vencido na categoria Melhor Obra Curta (com “O Chá das Cinco”, de Patrícia Costa) no XVII Troféus Central Comics, mais a nomeações para o Outras Bandas #2, nas categorias Melhor Antologia e Melhor BD Curta em Antologia (com “Fake News”, de Mário André) no 2º Prémio Bandas Desenhadas.

2021-04-24

José Bandeira e Mário André distinguidos em Concurso de BD

Foi comunicado esta semana, pela directora Marlene Rafael da Biblioteca Municipal José Saramago, de Odemira, quais os vencedores do 15ª BDtecaConcurso de BD '2021. Embora este ano as medidas de confinamento tenham impossibilitado a realização do evento o município manteve o concurso, que consagrou no 1º lugar o autor José Bandeira, com a banda desenhada “Música pela Cidade.”
O autor, um veterano da comunidade, integra o colectivo Tágide desde 2019, após ter reciclar conhecimentos em BD no 3º Iniciação à Arte Sequencial, e já havia vencido em 2020 um concurso de ilustração pelo DN/Bic.


Também foi distinguido o autor
Mário André, pela sua história “Migalhas”, que mereceu uma Menção Honrosa por parte do júri. Esta é a 2ª Menção Honrosa para o autor, que foi destacado da mesma forma no concurso de 2017.


Parabéns, José e Mário!

2021-04-22

José Bandeira desenha escritores mundiais

O ilustrador e autor de BD José Bandeira, que recentemente participou no Outras Bandas #4 com uma galeria de ilustrações temáticas, tem vindo a desenvolver várias rubricas ilustradas.
Uma dessas são desenhos que nascem de uma combinação do gosto pela literatura e pelo desenho. Chamada
As Faces da Escrita – um trocadilho de Type Faces, nome utilizado para os caracteres tipográficos –, o autor começou a desenhar os escritores que mais apreciava e, com o tempo, foi estendendo o leque de representações. Mais tarde, com a oportunidade de se encontrar com alguns dos retratados em Feiras do Livro e noutros eventos, desafiou certos escritores a autografar os seus desenhos, criando assim sketchbooks únicos!