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2023-04-26

Mário André expõe Monotipias em Almeirim

O autor Mário André continua em grande dinamismo, após orientar uma Oficina de Fanzines no dia 22 de Abril, na Biblioteca Municipal de Almeirim, e de fazer moderação das apresentações na Biblioteca Municipal de Alpiarça, a 23 de Abril, inseridas nas comemorações do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor e, também, o 34º aniversário daquele estabelecimento.
Entre
20 de Abril e 19 de Maio, está patente na Biblioteca Municipal Marquesa do Cadaval a sua exposição Monotipias, onde o autor apresenta, pela primeira vez, os trabalhos criados naquela técnica de impressão singular, pautados por BD e ilustrações.


A exposição pode ser visitada durante a semana entre 9h30-12h30 e 14h-18h, e no 2º sábado do mês entre as 9h30-13h.

2023-04-23

Tágide celebra Dia Mundial do Livro em Alpiarça

A Biblioteca Municipal de Alpiarça, que este mês celebra o seu 34º aniversário, volta a contar com autores do Tágide para comemorar o Dia Mundial do Livro: No dia 22, Sábado, o autor Mário André, realiza uma Oficina de Fanzines na Biblioteca Municipal Marquesa do Cadaval, e no Domingo, dia 23, o autor Daniel Maia, apresenta o CoBrA: Operação Goa (escrito por Marco Calhorda), numa sessão que conta com a presença do Alpiarcense Sabino Saturnino, ex-soldado da Invasão de Goa, retratada na obra. Na semana seguinte, no dia 29, a autora Patrícia Costa apresenta o seu último lançamento, Cicatrizes, e realiza um Atelier de BD dirigido aos mais jovens.

Uma programação de BD bem variada, a não perder!

2023-03-03

Mário André apresenta “Crime” na Tertúlia BD de Lisboa

O autor/editor Mário André é o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa (#447) de dia 7 de Março, onde vai apresentar o seu álbum mais recente Quaresma, o Decifrador: Crime, adaptado de conto policial por Fernando Pessoa. O convívio tem lugar no restaurante Maracanã, na Av. Fontes Pereira de Melo nº45 (Lisboa), a partir das 19h.

Eis o destaque oficial…

2023-02-24

Mário André apresenta Quaresma, o Decifrador vol.2

O autor/editor Mário André apresenta amanhã, dia 25 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal de Alpiarça, pelas 15h, o seu mais recente álbum, Quaresma, o Decifrador: Crime, o 2º volume desta série estreada em 2022, que adapta pela primeira vez à banda desenhada os centenários contos policiais de Fernando Pessoa.
Junto com a apresentação, estará patente uma exposição com pranchas originais da obra, bem como livros à venda, autografados na ocasião pelo autor.

Em Quaresma, o Decifrador: Crime, o médico sem clínica e ávido decifrador de charadas da vida real, Dr. Abílio Quaresma, participa numa investigação realizada pelo seu amigo, o Inspector-Chefe Guedes, em que a morte – aparentemente acidental – de um indivíduo no cais, por afogamento, conta apenas com o testemunho do seu melhor amigo na facultação de dados para solucionar o enigma. Estará o raciocínio dedutivo de Quaresma à altura da dedução infalível do improvável desfecho?

2023-02-14

Quaresma, o Decifrador vol.1 – Outra crítica

O autor/editor Mário André continua a somar críticas favoráveis à sua adaptação para banda desenhada do decifrador Quaresma, criado por Fernando Pessoa o início do séc.XX e protagonista das suas novelas policiais. A nova crítica surge da Drª Alexandra Lourenço Dias, docente na Brown Libra University do Reino Unido, publicada na revista Pessoa Plural #22, um volume semestral que reúne ensaios e textos críticos, dedicados exclusivamente à obra do poeta lisboeta.

Alexandra Lourenço Dias, em Revista Pessoa Plural #22:

A arte do raciocínio

(ANDRÉ, Mário (2022). O caso do quarto fechado. Lisboa: Kustom Rats, 68 pp., a preto e branco, Dep. Legal 499904/22)

Elogiada por uns, menosprezada por outros, a banda desenhada é uma forma de expressão que protagoniza um papel cada vez mais preponderante na cultura e nas artes contemporâneas. Pelos contornos de grande originalidade de que se reveste, pela diversidade de públicos a que se dirige, não encontra, tal como qualquer outra linguagem, entraves à prática criativa.
Do grotesco ao sublime, do onírico ao documentário, da sátira à filosofia, explora magistralmente os recursos do meio que a singularizam. A amplitude de tópicos que cobre é ilimitada, assim como a diversidade de géneros, da ficção à não ficção, onde a adaptação de obras literárias ocupa um lugar de destaque. Este fenómeno, praticamente universal, e que está na base da sua origem – com as adaptações de Voyages et aventures du docteur Festus e Little Nemo, respectivamente, por Töpffer e McCay –, é, também, uma característica da evolução dos processos artísticos e culturais contemporâneos cuja fusão e esbatimento da especificidade de cada uma das artes é cada vez mais comum.
A multiplicidade de novas práticas narrativas que encorajam diálogos intermodais e o intercâmbio narrativo entre diferentes meios de expressão encontram na literatura uma fonte de inspiração privilegiada que, nas palavras de Thierry GROENSTEEN (1999: 14), constitui a matriz de reprodução de todas as ficções. O número de colecções dedicadas em exclusivo a adaptações – em Portugal, a colecção Clássicos da Literatura em Banda Desenhada que conta com cerca de trinta títulos – não deixa dúvidas de que a literatura, com o número crescente de clássicos em domínio público, representa uma dádiva para todos quantos estão envolvidos na indústria, de criadores a livreiros.
Em Portugal, a tendência é para a adaptação de obras literárias portuguesas e as escolhas prendem-se, na sua maior parte, com o lugar que a obra ocupa no cânone literário nacional. Luís de Camões, Alexandre Herculano, Júlio Dinis e Eça de Queirós são certamente os autores que mais adaptações a BD conhecem, tendo as décadas de 1950 e de 1960 encontrado grande inspiração nas vidas e obras destes escritores, não obstante as reedições posteriores continuarem a alimentar aquela que foi sempre uma constante na 9.ª arte portuguesa. A preferência recai geralmente sobre obras de carácter narrativo, no entanto, o drama e a poesia – Gil Vicente e Herberto Helder, respectivamente – serviram também de fontes de exploração estética à arte da figuração narrativa. Recentemente, Miguel Torga, José Saramago e Nuno Júdice vieram enriquecer a lista.
Se, por um lado, a popularidade do autor ou da obra e, por outro, o grau de acolhimento do público – com incentivos por parte das instituições pedagógicas e secretarias da Cultura – casos há, porém, em que a escolha surpreende pela sua invulgaridade, seja ela resultado do efeito de estranheza gerada pela obra no seu leitor – entenda-se o autor da adaptação – seja a intensidade com que esta despertou nele o desejo por imagens (PEETERS, 1993: 88). Tal é o caso, por exemplo, de A Morte do Palhaço de Raul Brandão e da novela gráfica sobre a qual nos debruçaremos aqui, a adaptação do conto policial de Fernando Pessoa “O Caso do Quarto Fechado”.
A novela gráfica homónima de Mário André foi lançada em Maio de 2022, pela Kustom Rats, a editora recentemente criada pelo próprio, no que podemos definir como uma edição de autor. Coincidentemente, esta novela gráfica surge passados dez anos sobre a primeira vez que Fernando Pessoa foi adaptado a BD em Portugal. Ao contrário do que seria de esperar, esta estreia não foi executada por artistas nacionais, mas pela espanhola Laura Pérez Vernetti que, no seu trabalho, explora a obra poética de Pessoa e os seus heterónimos mais conhecidos. Usando fotografias do poeta e pinturas de Almada Negreiros, a biografia do autor é desenhada a preto e branco; já os desenhos dos poemas de Pessoa e dos heterónimos, são representados num universo a cores. A esta, seguiu-se, em 2015, uma outra biografia pela dupla Miguel Moreira e Catarina Verdier que difere da primeira por incluir segmentos do Livro do Desassossego e trazer corpo a Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Em 2016, André F. Morgado e Alexandre Leoni apostam numa abordagem mais alternativa, fundindo ficção e realidade. À excepção da obra de Vernetti, que inclui a adaptação de poemas dos heterónimos, os restantes autores parecem encontrar na biografia e na pluralidade do eu literário do poeta, o tema predilecto. Mário André, curiosamente, envereda por um outro caminho e traz ao universo da arte sequencial uma das vertentes da obra do escritor menos conhecida. Esta escolha tem a dupla valência de dar a conhecer uma faceta de Fernando Pessoa desconhecida do grande público, o seu gosto pelo romance policial e as suas próprias incursões no género, que ele mesmo define como “contos policiários”, e de trazer visibilidade ao trabalho de edição do espólio do autor que apresenta ao público nacional um, não tão carismático, mas igualmente perspicaz, Sherlock Holmes à portuguesa: raciocinador sofisticado, “médico sem clínica” e “matemático da realidade” cujo espírito se alimenta de “charadas, problemas de xadrez, quebra-cabeças geométricos e matemáticos” e “vive com eles como com uma mulher. O raciocínio aplicado era o seu harém” (PESSOA, 2008: 33). Esta novela encontra-se integrada no conjunto reunido sob o título Quaresma, Decifrador, conjunto de textos fragmentários e incompletos, que revela do gosto do poeta por charadas, desenvolvido em torno do raciocinador infalível Abílio Fernandes Quaresma, uma figura que ultrapassa, segundo Ana Maria de Freitas, o simples personagem e ocupa um lugar na realidade ficcionada do universo pessoano, ao lado dos heterónimos (apud PESSOA, 2008: 10).
Mário André é um estreante no universo da banda desenhada e se o virtuosismo do traço é ainda um trabalho em progresso, a transposição de um conteúdo literário para BD parece ser nele uma vocação natural. O conto “O Caso do Quarto Fechado”, o volume inicial do conjunto de novelas policiárias de Pessoa, é um texto que podemos definir, do ponto de vista da exegese, como pouco opaco e simples, em termos da estrutura da narrativa.
É uma história com um só enredo que se desenvolve de forma linear, composto por uma mão cheia de personagens que se reúnem em torno do que aparenta ser um simples caso de suicídio. Todos os eventos decorrem sequencialmente, na sua maior parte, em espaços interiores. Pela brevidade e equilíbrio entre momentos de diálogos e momentos descritivos é um texto facilmente adaptável, possuindo aquilo que Philippe Marion designa de “mediagenia”, ou seja, a capacidade de uma determinada história existir fora do meio em que foi originalmente concebida e de suportar a série de restrições e deformações associadas à configuração intrínseca do novo meio, ou seja, o processo de trans-semiotização (MARION e GAUDREAULT, 1998: 46). As cerca de vinte e nove páginas que o constituem representam um número ideal do ponto de vista editorial de um álbum de BD e, ao contrário de outros contos, este foi concluído pelo seu autor. Fernando Pessoa sentia relutância em acabar os seus trabalhos e num texto relativo ao seu processo de escrita, confessa: “Não consigo evitar a aversão que tem o meu pensamento pelo acto de acabar seja o que for. […] O meu carácter é tal que eu detesto o princípio e o fim das coisas, pois são pontos definidos” (PESSOA, 2003: 100). Mário André tem uma outra adaptação em curso,”“O Crime”, resta saber em que medida esta característica de Pessoa é para o desenhador um desafio ou um obstáculo. O conto “O Caso do Quarto Fechado” não sofreu alterações significativas no processo de adaptação. Do ponto de vista diegético, não existem elisões, adições ou modificações dos acontecimentos da história, apenas a transposição inter-semiótica esperada e os constrangimentos intrínsecos à passagem a um código icónico-verbal.
O texto foi incorporado nas pranchas com reduções pontuais e condensação, o que é de esperar. Em certos casos, foram substituídas palavras por equivalentes, substituição desnecessária, já que a novela gráfica nada perde em respeitar na íntegra a semântica pessoana. A proximidade à obra de origem, sendo desejável não é necessariamente obrigatória, no entanto, e sendo aqui o caso, favorece a interpretação visual o que resulta numa certa previsibilidade do material gráfico-figurativo produzido, imediatamente associado ao que é representado no texto de origem.
O trabalho de Mário André é mais focado na narrativa do que na exploração das possibilidades visuais da pintura ou do desenho e o ambiente em que decorre a acção é aqui conseguido pela ausência de cor e pela exploração do preto e branco. Em algumas vinhetas, nota-se algum vazio de detalhe decorativo, nomeadamente de elementos contextuais como decoração dos quartos onde surge apenas a personagem em plano médio (mais frequente) ou em grande plano, contra o que assumimos ser uma parede em branco. A integração de elementos de art deco, pontual, enriquece bastante o texto visual e acrescenta apontamentos da estética da época.
Toda a obra de Pessoa é um espaço privilegiado para o desenvolvimento de experiências de teor literário-filosófico e no género policial não poderia ser diferente. Tratando-se de uma novela de raciocínio, é uma história centrada no exercício mental, no que Pessoa define como a “arte de raciocinar”. Assim, existe uma certa falta de dinamismo nesta adaptação que resulta da própria natureza do texto onde as personagens deambulam em longos processos de inferência pois é o exercício de lógica mental que constitui a chave da resolução do enigma.
Todavia, uma adaptação é participar do mundo ficcional do autor conservando a sua essência. É dar uma segunda vida ao texto, num processo criativo que associa tanto conservação como a novidade (HUTCHEON, 2006: 35). Assim, vale a pena a sua leitura porquanto esta convida a duas descobertas: a de um Fernando Pessoa aos quadradinhos, não poético, mas policial, e a do seu palimpsesto."


GAUDREAULT, André; GROENSTEEN, Thierry (eds.) (1998). La Transécriture. Québec & Angoulême: Editions Nota Bene / CNBDI.
GROENSTEEN, Thierry (1999). Système de la Bande Dessinée. Paris: P.U.F.
GROENSTEEN, Thierry; PEETERS, Benoît (1994). Töpffer : L’invention de la bande dessinée. Paris: Hermann.
HUTCHEON, Linda (2006). A Theory of Adaptation. New York & London: Routledge.
MARION, P.; GAUDREAULT, A.(1998). “Transécriture et médiatique narrative : l’enjeu de l’intermédialité”.
La Transécriture. Angoulême: Editions Nota Bene / CNBDI.
MITAINE, Benôit;ROCHE, David; SCHMITT-PITIOT, Isabelle (2018) (eds.). Comics and Adaptation. Tradução de Aarnoud Rommens e David Roche. Jackson: University Press of Mississippi.
MOREIRA, Miguel (2012). “As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal”. Pessoa Plural―A Journal of Fernando Pessoa Studies, n.º 2, Outono, pp. 317-331. Brown Digital Repository,
Brown University Library. https://doi.org/10.7301/ZOJW8CCH
PEETERS, Benôit (1993). La Bande Dessinée. Paris: Flammarion.
PESSOA, Fernando (2008). Quaresma, decifrador. Edição de Ana Maria de Freitas. Lisboa: Assírio & Alvim.
_____ (2003). Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal. Edição de Richard Zenith; colaboração de Manuela Parreira da Silva. Lisboa: Assírio & Alvim.
VERNETTI, Laura Pérez. (2012). Pessoa & CIA. Tradução de Maria José Magalhães Pereira. Alfragide: Asa.

ALEXANDRA LOURENÇO DIAS é natural de Portugal e completou o seu doutoramento em 2013 na Universidade do Porto. Actualmente é professora de Estudos Portugueses no King’s College London e Directora do Camões – Centro de Língua e Cultura Portuguesa. Na sua investigação, Alexandra centra-se no estudo de novelas gráficas portuguesas, com particularfoco nos processos de tradução inter-semiótica do romance literário à banda desenhada. Nos últimos anos, expandiu a sua área de investigação incluindo a ficção pós-colonial de língua portuguesa e novelas gráficas dos países de língua oficial portuguesa. Alexandra interessa-se particularmente por examinar como as questões relacionadas com o colonialismo se manifestam nas intersecções entre várias narrativas lusófonas, tanto literárias como multimodais.

2023-01-10

Quaresma, o Decifrador vol.2 – Crítica

Os álbuns do autor/editor Mário André continuam a galvanizar a crítica especializada. Depois do 1º volume da sua colecção Quaresma, o Decifrador, baseada nos contos policiais de Fernando Pessoa, ter obtido várias análises por críticos do sector, e de ter sido considerado um dos melhores álbuns nacionais de 2022 pela Associação Juvemedia, chega a vez do recente vol.2, Crime, ser abordado nos media independentes.

Aqui fica a nova apreciação, por Ricardo Belo de Morais, no programa Pessoa para todas as Pessoas, da Rádio Movimento PT Online:



Em 2022, o mercado livreiro português passou a contar com duas versões em bandas desenhadas das novelas policiarias do quase-heterónimo de Fernando Pessoa, o Dr. Abílio Quaresma. As adaptações desta personagem pessoana e das suas histórias são assinadas por Mário André, nestes dois livros: primeiro, de Junho, O Caso do Quarto Fechado, e depois, em Outubro, o 2º volume desta colecção, a novela gráfica Crime.
Na verdade, Fernando Pessoa escreveu sobejamente sobre a sua personagem detectivesca, este Decifrador, dizendo que Quaresma se alimentava de coisas como charadas, problemas de xadrez, quebra-cabeças geométricos e matemáticos, e que vivia com eles como se fossem uma mulher; o raciocínio aplicado era o “harém” de Abílio Quaresma.

Esta personagem criada por Fernando Pessoa foi desenvolvida pelo escritor abraçando um género que era muito popular nas primeiras décadas do séc.XX e que foi também um favorito de Pessoa. A escrita dos contos policiais desta personagem fictícia deu-se durante várias décadas, num conjunto de 13 contos, que começaram a ser transpostos para banda desenhada em registo de novela gráfica, com edição do selo Kustom Rats.
Em 2023, o ilustrador Mário André quer continuar a trazer estas obras, com o aproveitamento do registo – digamos que – sombrio das histórias, feito em preto-e-branco. São dois volumes que tinham mesmo de ter entrada obrigatória no nosso top 10+, uma vez que Mário André foi o primeiro desenhista do mundo a lembrar-se e a ter o arrojo de passar à BD as histórias desta personagem inventada por Pessoa.”


2022-12-08

BD Montijo: Antologia I – Mário André

O BD Montijo: Iniciação à Arte Sequencial, promovido pela Câmara Municipal de Montijo e leccionado por Susana Resende, engloba três cursos, entre 2018 e 2019-2020. A iniciativa resultou em 18 BDs curtas pelos formandos – muitos, estreantes absolutos – sendo as BDs reunidas em BD Montijo: Iniciação à Arte Sequencial – Antologia I e expostos na Casa Mora – Museu Municipal de Montijo, em Fev. 2022. Dado o livro ter edição limitada, muitos leitores não tiveram chance de conhecer estes autores, que mais tarde fundaram o colectivo Tágide; por isso, o TágideBD partilha aqui as BDs...

Continuando em ordem alfabética, partilhamos
“A Viagem” de Mário André, uma BD onírica e pessoal, que relata a aventura criativa do próprio autor em banda desenhada.



Reflexões
Esta incursão tardia pelas águas da BD é o resultado de um conjunto de ingredientes que se inicia pelo óbvio amor pela Nona Arte, misturado com algum "jeitinho" nunca antes testado, e uma aposentação mais cedo do que o normal, motivada por questões de saúde (e outras não são para aqui chamadas). Desta alquimia resultou a vontade de aprender tudo sobre BD (claro que não sei nada, mas pelo menos conheço alguns termos nela usados) levando-me a frequentar certas formações e workshops, com Pedro Vieira Moura, Penim Loureiro, Susana Resende e Daniel Maia. Dos ensinamentos destes últimos nasceu este produto (Obrigado), é também o "medicamento" que me deixa feliz todos os dias, levando-me a erguer cedo todas as manhãs, procurando criar novas histórias.

Novas histórias, essas, cujo conteúdo político/social está sempre presente numa visão ecológica do mundo, crítico das políticas neoliberais desumanas, orientadas para o lucro, não numa visão miserabilista e choramingas na amostra que faço do mundo real, mas que, a partir da consciência das múltiplas encruzilhadas e enredos em que estamos metidos, possamos descodificar tudo isto e caminhar para um mundo melhor – pela mão da Banda Desenhada.”

- Mário André


Biografia

Oriundo de Alpiarça, foi profissional de Enfermagem ao serviço da Selecção Nacional e do Sporting Clube de Portugal. Aposentado em 2015, dedica-se a desenvolver aptidões em BD e a produzir obras autorais, auto-publicando no fanzine
Doce Êmese Canibal, pelo selo editorial Kustom Rats. Este retorno à paixão pelo desenho, tornou-o o mais decano novo autor de BD na comunidade portuguesa, com várias participações em concursos de BD e em eventos, entre os quais o festival Amadora BD e BDteca: Salão BD de Odemira, em que foi distinguido com Menção Honrosa em 2017 e 2021.

Frequentou formações na NextArt e no Museu Bordalo Pinheiro, e consolida aptidões no 1º
Iniciação à Arte Sequencial. Após cofundar o colectivo Tágide, publica regularmente nos fanzines Outras Bandas - obtendo nomeação para o 2º Prémio Bandas Desenhadas em Melhor BD Curta em Antologia -, e colabora também no Venham #5 #10 e A Ponte #1. De seguida, eleva a produção para álbuns, primeiro adaptando A Implosão, de Nuno Júdice, em 2021, e lançando depois a colecção Quaresma, o Decifrador, adaptando os contos policiais de Fernando Pessoa, iniciada com O Caso do Quarto Fechado e Crime, em 2022, e prosseguindo em 2023 com A Morte de D. João.
Paralelamente, é também responsável pela criação e coordenação da Fanzineteca de Alpiarça, integrada na Biblioteca Municipal daquela cidade.


2022-11-12

Mário André apresenta Quaresma, o Decifrador vol.2 em Almeirim

O autor/editor Mário André promove hoje o seu novo álbum, Quaresma, o Decifrador: Crime (Kustom Rats), que adapta um novo conto policial de Fernando Pessoa. A convite da Câmara Municipal de Almeirim, o autor apresenta a obra na Biblioteca Municipal Marquesa de Cadaval, dia 12 de Novembro às 16h, assim como irá expor pranchas da banda desenhada e assinar autógrafos.
Uma ocasião a não falhar para os leitores ribatejanos!

 

2022-10-26

Quaresma, o Decifrador vol.1 – Nova crítica

Na sequência das anteriores críticas a este volume inaugural da colecção Quaresma, o Decifrador, em que Mário André adapta à banda desenhada as centenárias novelas policiais de Fernando Pessoa, surge a análise de Hugo Pinto, no blog Vinheta2020...

Hugo Pinto, em Vinheta2020:
Depois de, no ano passado, publicar A Implosão, uma adaptação para banda desenhada da obra de Nuno Júdice, Mário André depressa regressou ao lançamento de banda desenhada. No passado mês de Maio, o autor arrancou com um novo projeto que procura adaptar para bd os contos policiais da autoria de Fernando Pessoa. Desde então, o ritmo de produção de Mário André tem sido muito fértil porque na altura em que vos escrevo este texto, o autor independente prepara-se para publicar no Amadora BD o seu segundo livro desta colecção (…).

Este primeiro livro da coleção dedicada a estes contos policiais, intitula-se O Caso do Quarto Fechado e traz-nos a personagem do Dr. Abílio Quaresma que é um verdadeiro mestre da investigação. Não se tratando de um investigador ou detetive, propriamente dito, Quaresma é um decifrador por talento nato e vocação natural, conseguindo olhar para os factos e eventos de forma analítica e perspicaz, como faria um Sherlock Holmes ou um Hercule Poirot. (...)

Nesta situação concreta, é chamado a analisar um caso que, embora pareça de fácil resolução, está envolto em mistério e pode ser uma daquelas situações em que as aparências enganam. Uma pessoa é encontrada morta e tudo leva a crer que se trata de um suicídio. Mas a causa da sua morte parece ser a degolação, o que seria difícil de executar. E, ainda para mais, junta-se à equação o facto da vítima ter uma personalidade que em nada levaria a crer que alguma vez pudesse recorrer ao suicídio. E isto já para não mencionar que a vítima foi encontrada num quarto fechado por dentro.
Já têm a cabeça a andar à roda? É natural, pois o mistério é desafiante e muito interessante de ver resolvido à medida que vamos lendo este livro. O que me leva a considerar que o mesmo tem um belo argumento.


Comparando esta obra com A Implosão, onde eram (mais) notórias as fragilidades de Mário André enquanto autor, parece-me facilmente visível que o autor evoluiu bastante desse livro para este.

É lógico que, especialmente na componente visual, ainda encontramos neste O Caso do Quarto Fechado, desenhos bastante arcaicos na sua conceção, que parecem ter sido feitos à primeira tentativa, sem que haja uma elaboração aprumada ou estudos de fundo desenvolvidos pelo autor. Por vezes, as expressões faciais das personagens, bem como a sua linguagem corporal, são demasiadamente amadoras, fazendo parecer que os desenhos foram feitos por uma criança. Outro problema que persiste é que certas personagens parecem apresentar feições e expressões diferentes de vinheta para vinheta, fazendo com que o natural ritmo e encadeamento da leitura seja posto em causa, por vezes.

Não obstante, e mesmo tendo presente que, em várias ocasiões, me pareceu que o texto era um pouco excessivo, este é um livro manifestamente melhor que
A Implosão. A leitura é mais fácil, o argumento é muito mais conciso e bem explanado, e as ilustrações do autor, quiçá amadoras, parecem demonstrar um autor que tem vindo a evoluir gradualmente. Nota positiva, ainda, para como o autor tenta dar frescura à leitura, através de uma planificação diversificada e com algum dinamismo.


Em termos de edição, partindo do pressuposto que estamos perante uma edição de autor, posso dizer que o livro, em capa mole baça, tem um aspeto bastante aceitável.

Concluindo, julgo ser justo dizer que Mário André está de parabéns pela aposta inteligente de trazer estes contos policiais esquecidos de Fernando Pessoa para a banda desenhada. É lógico que em termos de componente visual, ainda é uma obra algo pobre e amadora a vários níveis, mas que, não obstante, marca uma evolução positiva do autor face ao anterior A Implosão.”

2022-10-20

33º Amadora BD – Programa

O 33º festival Amadora BD é inaugurado hoje e decorre até 30 de Outubro, com núcleo central no Skate+Ski Park da cidade. O colectivo informal Tágide e vários autores com afinidade ao grupo vão marcar presença no evento, com apresentações e autógrafos, para além da presença entre os nomeados aos Prémios de BD da Amadora.


Eis a programação seleccionada…

Domingo, 23 de Outubro


18h – Cerimónia de Entrega dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora



Sábado, 29 de Outubro


DEBATES E LANÇAMENTOS


14h30 – Apresentação de Outras Bandas #8 (Tágide)
Autores: António Coelho, Daniel Maia, Jorge Rodrigues, Maria João Claré, Mário André, Patrícia Costa, Susana Resende e Yves Darbos


18h00 – Apresentação de Revista H-Alt #12 (Assoc. Tentáculo)
Autores: Daniel Maia, Edgar Ascensão, João Tavares, Luís Sousa, Marco Fraga Silva, Mateus Boga e Sérgio Santos


18h30 – Apresentação de Quaresma, o Decifrador: Crime (Kustom Rats)
Autores: Mário André e Ricardo Belo de Morais (prefácio)


SESSÃO DE AUTÓGRAFOS

15h-16h – António Coelho, Daniel Maia, Jorge Rodrigues, Maria João Claré, Mário André, Patrícia Costa, Susana Resende e Yves Darbos

16h-18h – Daniel Maia e Marco Calhorda

18h30-20h - Daniel Maia, Luís Sousa, Marco Fraga Silva, Mateus Boga e Sérgio Santos

19h-20h – Mário André


Domingo, 30 de Outubro


DEBATES E LANÇAMENTOS

11h – Apresentação de
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados (Kafre/Arga Warga)
Autores: Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, José de Matos-Cruz, Nuno Dias e Susana Resende


15h – À conversa sobre
CoBrA: Operação Goa (Ala dos Livros)
Autores: Daniel Maia, Marco Calhorda e Ricardo Pereira Magalhães (editor)


16h – Apresentação da
Saga Congo (Mudnag Edições)
Autores: Duarte Gandum e Henrique Gandum


1
7h30 – Antevisão de Crónicas de Enerelis: Volume 04 – Cicatrizes (Maegis)
Autora: Patrícia Costa


SESSÃO DE AUTÓGRAFOS


14h30-16h – Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, José de Matos-Cruz, Nuno Dias e Susana Resende

16h-18h – Daniel Maia e Marco Calhorda

16h30-19h30 – Duarte Gandum e Henrique Gandum

18h-20h – Patrícia Costa


2022-10-12

Quaresma, o Decifrador – Crime [Kustom Rats]

O autor/editor Mário André (A Implosão) apresenta no 33º Amadora BD o seu novo álbum, integrado na colecção em que os contos policiais inexplorados de Fernando Pessoa são adaptados à banda desenhada: Quaresma, o Decifrador – Crime, é o segundo livro desta série e narra em arte sequencial mais uma curta novela, escrita há cem anos pelo famoso poeta, dando sequência ao inicial O Caso do Quarto Fechado, apresentado no 18º FIBDB, em Maio.

Dr. Abílio Quaresma, “o Decifrador,” é uma personagem criada por Fernando Pessoa (1888-1935) há um século, protagonista das suas novelas policiais; um género muito popular nas primeiras décadas do séc.XX, e que era secretamente seu favorito. A escrita destas deu-se durante décadas, resultando num conjunto de treze contos – uns mais concluídos e longos do que outros –, nos quais o protagonista quase foi elevado ao panteão de heterónimos do poeta.



Em
Quaresma, o Decifrador – Crime, o médico sem clínica e ávido decifrador de charadas da vida real, Dr. Abílio Quaresma, participa numa investigação realizada pelo seu amigo, o Inspector-Chefe Guedes, em que a morte – aparentemente acidental – de um indivíduo no cais, por afogamento, conta apenas com o testemunho do seu melhor amigo na facultação de dados para solucionar o enigma. Estará o raciocínio dedutivo de Quaresma à altura da dedução infalível do improvável desfecho?… Quaresma não julga – decifra. Caso encerrado!


A série regressa no 1º semestre de 2023, com a adaptação d’A Morte de D. João.


Quaresma, o Decifrador – Crime
(Kustom Rats)
Autor/Editor: Mário André
História original: Fernando Pessoa
Prefácio: Ricardo Belo de Morais
Balonagem, Design e Paginação: Susana Resende
Álbum de BD | 50 páginas | Interior Preto/Branco
Impressão: Gráfica 99 | Depósito Legal: 506124/22
1a Edição: Out. 2022 | Tiragem: 200ex. | PVP. 12€
KustomRats2017@gmail | Facebook.com/kustom.rats

2022-09-22

Tágide em Eventos Literários

A temporada das Feiras do Livro vai chegando ao fim, mas ainda tem fôlego para mais alguns eventos. Neste fim-de-semana, entre os dias 23 e 24, o autor Mário André (A Implosão e Quaresma, o Decifrador vol.1) vai participar no FACIL 2022, a Feira do Autor da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, onde vai representar o município de Alpiarça com as suas novelas gráficas auto-editadas.

E no Sábado, às 16h, é a vez do autor Daniel Maia marcar presença na 1ª Feira do Livro do Museu Bordalo Pinheiro, onde vai falar do seu álbum de banda desenhada CoBrA: Operação Goa (Ala dos Livros), pelas 16h. Este evento será gerido numa parceria entre o MBP e diversas livrarias lisboetas, cuja actividade se centra no livro infantil e BD, como a Baobá, Cult e Legendary Books.

2022-09-12

Tágide noutras Feiras do Livro ‘2022

A fechar a temporada de feiras literárias, o colectivo Tágide teve representantes em duas festividades, nomeadamente Mário André, que no dia 27 de Agosto apresentou e autografou no evento Alpiarça em Festa o seu álbum Quaresma, o Decifrador: O Caso do Quarto Fechado (Kustom Rats), inclusivamente tendo nesse esgotado a anterior novela gráfica, A Implosão; e também Daniel Maia, que em 11 de Setembro apresentou CoBrA: Operação Goa (Ala dos Livros), escrito por Marco Calhorda, na 7ª Festa do Livro da Amadora, organizada pelo município da Amadora e por The Book Company.


2022-09-10

92a Feira do Livro de Lisboa – Fotos

A 92ª Feira do Livro de Lisboa termina amanhã e, este ano, diversos autores associados ao grupo informal Tágide marcaram presença com sessão de autógrafos, nomeadamente Daniel Maia (dia 27 e 2), Duartee Henrique Gandum (dia 3 e 4), José Bandeira (dia 9) e Mário André (dia 9). Aqui ficam fotos das sessões, na loja Convergência (D55-57)...

2022-08-24

92ª Feira do Livro de Lisboa

A 92º Feira do Livro de Lisboa regressa ao Parque Eduardo VII entre 25 de Agosto e 11 de Setembro. O evento promete ser o maior de sempre, com um conceito novo e repleto de novidades, onde 340 pavilhões serão distribuídos por 140 participantes editoriais. Esta será também a última feira a decorrer fora da época habitual, voltando a Maio e Junho em 2023.


Alguns autores do Tágide marcam presença no evento:

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Daniel Maia assina CoBrA: Operação Goa (Ala dos Livros) nos dias 27/8 (16h-17h) e 2/9 (18h-19h), no Pavilhão D55 (Convergência)

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Duarte e Henrique Gandum assinam a série Congo (Mudnag/Ego) nos dias 3 e 4/9, no Pavilhão D11 (Ego Editorial)

- José Bandeira
assina a antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados (Arga Warga/Kafre) e Mário André assina Quaresma, o Decifrador vol.1 (Kustom Rats), no dia 9/9 (16h-17h), no Pavilhão D55 (Convergência)


Na mesma data, em Alpiarça, o autor Mário André vai marcar presença na Feira Agrícola e Comercial, no Espaço Município, no dia 27 às 20h30.

Contamos com a vossa presença!

2022-08-02

Quaresma, o Decifrador vol.1 – Crítica

O álbum de Mário André, Quaresma, o Decifrador: O Caso do Quarto Fechado (Kustom Rats), já reuniu breves críticas por parte de especialistas, em BD e na literatura de Fernando Pessoa…

Em BandasDesenhadas:

Mário André divulga, de forma competente, esta faceta literária de [Fernando] Pessoa tão pouco conhecida.”

O autor transpõe com sucesso a prosa de Pessoa para um argumento de banda desenhada. Graficamente, verifica-se um amadurecimento do autor no seu traço.”

Ricardo Belo de Morais, em O Meu Pessoa:
O mercado livreiro português conta agora com a primeira versão [em] BD da novela policiária O caso do quarto fechado, do “quase-heterónimo” de Fernando Pessoa, Abílio Quaresma. A adaptação é assinada por Mário André. Fernando Pessoa escreveu sobejamente sobre a sua personagem detectivesca, nomeadamente dizendo que Quaresma, o Decifrador, se alimentava de coisas como “charadas, problemas de xadrez, quebra-cabeças geométricos e matemáticos” e “vivia com elas como com uma mulher. O raciocínio aplicado era o seu harém”.


Dr. Abílio Quaresma, o Decifrador, era um médico “sem clínica e decifrador de charadas da vida real”. A personagem criada por Pessoa foi protagonista de novelas policiárias desenvolvidas pelo escritor; abraçando um género muito popular nas primeiras décadas do séc. XX – e que foi, aliás, um favorito de Pessoa. A escrita dos contos policiários de Fernando Pessoa, por via da personagem fictícia Dr. Quaresma, deu-se durante várias décadas, num conjunto de treze contos. Em “O caso do quarto fechado”, Quaresma analisa um crime num quarto de uma pensão lisboeta, fechado por dentro, cometido de forma a passar disfarçado de suicídio. Abílio Quaresma analisa a patologia do suicídio, desmascarando-a; e a vítima é descrita como um histero-neurasténico, designação que Fernando Pessoa chegou a aplicar a si próprio."