2021-04-12

Tágide: Heróis Portugueses XXII

A iniciativa Tágide: Heróis Portugueses começa a entusiasmar outros autores da comunidade nacional a celebrar as nossas personagens de BD através de novas interpretações, o que é fantástico! Mantendo a marcha para os 100 heróis lusitanos, hoje temos outras 4 propriedades bem conhecidas dos leitores.
Começamos com Júnior, Joana & Gão (ilustrados por Jorge 'RoD!' Rodrigues), de Luís Almeida Martins (argumento) e Pedro Morais (arte), uma rubrica de banda desenhada publicada na revista infanto-juvenil Visão, entre 2004 e 2008. As aventuras mirabolantes (ou imaginárias?) deste trio foram compiladas em dois álbuns pela Polvo, respectivamente Um Mundo de Aventuras e O Outro Mundo, em 2015. Depois, falamos da equipe heróica Asteroid Fighters (ilustrado por Nuno Dias), criados por Rui Lacas e representados aqui por George Forthesque. Até à data a primeira obra do autor inserida numa colecção, sendo esta publicada pela Asa Edições, a série inclui O Início (2010) e Os Oráculos (2013), estando por concluir no vol.3.

Lembramos também a série Oráculo (ilustrado por Daniel Maia), de Pedro Mota (argumento) e Pedro Potier (arte), editada entre 2004-2005 na revista do mesmo nome, pela Devir Edições. A Oráculo, especializada em jogos de tabuleiro e de cartas, também destacava áreas como a BD e manteve a rubrica até ao cancelamento do título. E ainda a trupe Bad Summer Boys Band (ilustrados por Rui Serra e Moura), criados por Geral & Derradé. Estes heróis do punk-rock nasceram no início dos anos 90 nas páginas de fanzines nacionais, aparecendo em diversos títulos durante essa década, donde se salienta The BadSummerBoys Fanzine #1-4, Slimzines BadSummerBoys Band #17 e Herpes Labial #1. As personagens deram o pulo para o mercado regular através da colecção Primata Comix, da Polvo Edições, com Fúria (1999), Fava! (2000), e Pai Natal: Um Estudo Morfológico (2001), regressando noutras obras (algumas, compilações de material prévio) como HL Comix #1-2 (2006), Há Piores! vol.1-3 (2011-2014), Best Of – Tirado da Prateleira (2013), Segunda Oportunidade (2013), Edição Extra (2015) e A Demanda do G. (2016).

2021-04-09

Sérgio Santos conversa na Rádio Voz

O autor de BD/editor independente Sérgio Santos passou a colaborar a partir desta semana com o projecto Voz Online, uma rádio licenciada pela ARDVOZ – Associação Voz Online Radio. Mais concretamente, o autor junta esta nova rádio ao conjunto de plataformas onde tem disponíveis as Conversa H-Alt, um programa de podcasts sobre BD e não só, que conduz desde 2017 e que já soma 125 sessões.

2021-04-04

Tágide: Mais reuniões virtuais

Enquanto aguardamos pacientemente o desconfinamento e a possibilidade de nos voltarmos a reunir ao vivo, o colectivo Tágide continua com encontros online semanais, no fim-de-semana. Uns mais acorridos do que outros, as conversas variam enquanto se vai rabiscando... No final de Março, somámos doze chats.


2021-03-24

Tágide: Heróis Portugueses XXI

A menos de 20 personagens para encerrar a iniciativa, os Heróis Portugueses celebrados pelo col. Tágide apresenta hoje mais 3 protagonistas das nossas páginas de quadradinhos:


Luís de Camões (ilustrado por Pedro Cruz) é mais uma figura histórica adaptada à BD trazido para as páginas de quadrinhos por diversos autores e editoras. O primeiro registo é de 1880, numa prancha com o título "A Vida de Camões", por autor anónimo, que foi reimpressa em Dicionário de BD: Léxico Disléxico, por Leonardo de Sá, publicado pela Pedranocharco. Seguem-se os autores Adolfo Mueller (arg.) e Fernando Bento (des.), que adaptaram a vida de Camões na revista Diabrete #702-730, em 1950, com edição em álbum pela Fundação Gulbenkian e reedição na colecção Antologia da BD Portuguesa, da editora Futura. Em 1957, José Antunes produz “Trinca-Fortes” na revista Mundo de Aventuras #386-411 e Camarada (1963), sendo por fim compilada na colecção Cadernos Moura BD #5, pelo município daquela cidade. Também Jobat (José Baptista) ilustrou o herói, na revista Diário Popular, em 1972, na série "A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões", sendo o argumento em francês de Michel Gérac. O mesmo desenhador reeditou da BD desde 2003 no semanário O Louletano.
Em 1972, a dupla José Cosme (arg.) e Carlos Alberto (des.) publicou Camões: A sua Vida Aventurosa, pela Agência Portuguesa de Revistas, reeditada a cores pela Asa Edições, em 1990; do mesmo pintor, surgiu uma biografia ilustrada em cromos, em 1966, também pela APR. Raul Costa (arg.) e José Manuel Soares (des.) produziram um álbum de BD pelo edil de Odemira, em 1990, o qual mereceu 2a edição, a que se segue Camões aos Quadradinhos, por Rui Pimentel e Jorge Serrão, baseado na peça de teatro de Hélder Costa e publicado pela APR. E por fim, de Jorge Miguel, surge em 2008 Camões: De Vós não Conhecido, nem Sonhado?, pela Plátano, vencedor de prémio no Troféu Central Comics.
A personalidade marcou ainda presença noutros livros ou revistas, como em Lições de História Pátria por Pedro Carvalho (arg) e Eugénio Silva (des) (1967), na revista Pisca-Pisca por José Antunes (1968), na revista Girassol #145 por José Garcês (1972), em A História de Portugal em BD por A. Carmo Reis (arg) e José Garcês (des.)(1985), em Os Lusíadas vol.1-3 por José Ruy, em Por Mares nunca antes Navegados por Baptista Mendes (1980), em Gesta Heróica por Vítor Peon (1983), na História Alegre de Portugal por Manuel Pinheiro (arg) e Artur Correia (des) (2008), e por fim na rubrica Bartoon, por Luís Afonso.

O jovem detective
Zeca, de José Manuel Soares (ilustrado por João Raz), surge como resposta às aventuras d'O Cuto, por Jesus Blasco. As BDs do Zeca estrearam em 1957, na Mundo de Aventuras #392-403, tendo regressado em vários números até ao #437. E por último temos a raposa Saltapocinhas (ilustrada na versão original e em interpretação pela Mª João Claré), uma criação literária de Aquilino Ribeiro na fábula O Romance da Raposa, em 1924. Este clássico teve também sucesso na adaptação para TV e banda desenhada, numa edição que marcou o regresso de Artur Correia à personagem, tendo ele sido um dos responsáveis pelas animações de 1987. A novela gráfica foi publicada em 2009 pela Bertrand.

2021-03-21

Destaque ao colectivo Tágide

O colectivo informal Tágide tem merecido vários destaques na comunidade de banda desenhada portuguesa. Após realizar apresentações editoriais no Festival Internacional de BD de Beja e Amadora BD em 2019, e de ser indicado em prémios do mercado nacional em 2020, no 17º Troféus Central Comics e 2º Prémio Bandas Desenhadas, o grupo de autores da margem sul tem vindo a deixar a sua marca no sector, à medida que artistas associados ao colectivo se lançam em projectos autorais.
Toda esta actividade mereceu a inclusão do Tágide na BD2 - Base de Dados de BD organizada pelo portal BandasDesenhadas.com; ali, existe agora uma biografia do colectivo, citando o seu historial e artistas, e publicações (Outras Bandas).


Paralelamente, foram divulgados em “As Melhores LER em Fevereiro 2021” breves apontamentos críticos aos três anteriores fanzines do grupo, Outras Bandas #1-3.

2021-03-20

Nuno Dias cria Comissões

O jovem talento Nuno Dias, também conhecido na comunidade de banda desenhada e redes sociais por IdrawSpiders, é um promissor autor que começa a dar os primeiros passos em arte sequencial. Depois de integrar o colectivo Tágide em 2019, no ano seguinte deu um primeiro passo autónomo em BD ao integrar a iniciativa de beneficência Virar a Página, para a qual produziu a sua primeira prancha de BD finalizada, com argumento de Diogo Almeida, a que se seguiu em 2021 uma sequência de 2 páginas para o Outras Bandas #4. Tendo já anunciado uma contribuição na antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, no final do ano, o autor tem progressivamente duplicado a contagem de páginas que produz a cada novo trabalho que assina!

Paralelamente, o Nuno também cria comissões artísticas. Aqui ficam comentários do autor a este conjunto de ilustrações:

1) a figura feminina foi comissionada por Beez,”foi um bom desafio, pois desenhar mulheres é algo que raramente faço e que quero ganhar coragem para fazer mais vezes. Usei como referência o livro Anatomy in Action, para sondar poses femininas dinâmicas, e acabei por mesclar o torso de uma figura e as pernas de outra.”

2) Afonso Ferreira foi comissionado por Henrique Gandum, “e fiquei totalmente honrado com o convite do Henrique para integrar a galeria de extras do álbum Congo vol.2, pois ele deu-me liberdade total de escolher o que desenhar desde que fosse do seu universo... claro que escolhi ilustrar o protagonista de bigode e faca que podia deitar uma árvore abaixo.”

3) Falcon's Nest foi comissionado por Rafael, “irmão de um dos meus melhores amigos, e que sempre mostrou respeito e apreciação pelo meu trabalho, gosta muito de pássaros e pediu-me em específico um falcão para usar como avatar nas suas contas Twitch e Discord, até à data foi a primeira vez que desenhei um animal mais realisticamente e gostei do resultado.”

O Nuno Dias está disponível para encomendas artísticas (comissões) para coleccionadores e fãs, através de contactos no seu Facebook ou Instagram.

2021-03-18

Crónicas de Enerelis: Volume 2 – Sangue (Antevisão) [Ed. de Autor]

Complementar à campanha de pré-venda do Crónicas de Enerelis: Volume 1 – Prelúdio, a autora Patrícia Costa disponibilizou também um fanzine com uma antevisão do Vol.2, para os leitores que o quisessem adquirir junto com o álbum de estreia. Esta edição limitada e exclusiva à campanha, Crónicas de Enerelis: Volume 2 – Sangue [Introdução e Capítulo 8], tem 14 páginas e impressão a preto/branco, e contém o capítulo inicial (Capt.8) da conclusão deste primeiro ciclo da saga, com 13 páginas de banda desenhada.
Levantando o véu ao que se avizinha, os leitores terão acesso ao rescaldo do climax do Vol.1 e vão conhecer um pouco do passado do protagonista Eyren Caeli, voltando atrás cerca de 3 anos antes do início dos acontecimentos em Prelúdio.

O próximo álbum está presentemente a ser concluído e prevê-se que a publicação chegue ao público entre o final do verão e início do outono. Entretanto, quem não aderiu à campanha pode adquirir o Vol.1 a partir de 20/3.

2021-03-16

Pedro Cruz ilustra inimigos do Batman

O autor Pedro Cruz (Mindex) contribuiu no ano passado para mais um livro do escritor Jim Beard, dedicado à memória da série televisiva Batman, dos anos 60. Beard, que já havia assinado a obra ZLONK! ZOK! ZOWIE! - The Subterranean Blue Grotto Guide to Batman '66: Season One, lançou agora BIFF! BAM! EEE-YOW! - The Subterranean Blue Grotto Guide to Batman '66: Season Two, que se foca na galeria de coloridos inimigos do Cruzado Encapuçado figurados na 2ª e última série do super-herói. O livro está actualmente no 1º lugar do top da Amazon.
Entre diversos contribuidores, o Pedro ilustrou três personagens: a Viúva Negra, que surgiu no episódio 55 em Março de 1967, interpretada pela actriz Tallulah Bankhead; o Director Crichton, de três episódios em 1967, interpretado pelo actor David Lewis; e a Pussycat, a jovem parceria da CatWoman, do episódio 40, em Janeiro de 1967, onde o Pedro incluiu um cameo do Robin. Aqui fica um detalhe da Viúva Negra...


 

2021-03-11

Daniel Maia desenha Direitos Humanos

O autor Daniel Maia colaborou em 2020 na publicação anual da agência de talentos que o representa, a Chiaroscuro Studios. Estes anuários visam promover os artistas agenciados e realizar criações de relevância cultural, sendo a colecção variada com livros ilustrados, novelas gráficas, enciclopédias visuais etc.
Perante a crescente dissonância político-social sentida por todo o mundo, desde os protestos em Hong Kong e EUA, aos maus-tratos de etnias afro-americanas e muçulmanas, mais as concentrações de refugiados árabes e sul-americanos, e, infelizmente, outras lamentáveis falhas para com os direitos inalienáveis de pessoas, os sócios-proprietários da Chiaroscuro – o artista Joe Prado e promotor de eventos Ivan Costa – decidiram produzir um livro dedicado a celebrar esses direitos; assim surge Yearbook 2020: Declaração Universal dos Direitos Humanos – Um Livro Ilustrado, uma edição de luxo bilingue, composta em simultâneo por ilustrações e sequências de banda desenhada, que interpreta os 50 artigos e sub-artigos da famosa Declaração mundial, rectificada em 1948 pela ONU, como resposta às atrocidades observadas na 2ª Guerra Mundial.


O Daniel ilustra o Artigo #13, que afirma “Todos temos o direito à liberdade de movimentação e de residência dentro das fronteiras de cada estado,” optando por contextualizar a sequência de página dupla na controversa situação no Nepal, neste caso mostrando o cruzamento entre jovem a vir do interior para estudar na capital e um adulto a retirar-se para um mosteiro no campo. O trabalho foi desenhado em 2 pranchas A3 e colorido digitalmente, em técnica que simula aguarela.



A edição foi lançada no evento digital CCXP World e distribuído por todo o mundo no início de Fevereiro.

2021-03-08

Fundamentais da BD por Susana Resende

A autora Susana Resende, responsável pelos cursos Iniciação à Arte Sequencial que estiveram na base da criação do colectivo Tágide, terminou recentemente a acção de formação Fundamentais da BD, na Escola Secundária de Alcochete. Este curso dirigido a alunos da área de Artes foi realizado com apoio do programa Marcelino Vespeira e visa a criação de projecto escolar para transpor para banda desenhada a arte e vida do pintor.

Nesta formação, a autora descartou tópicos programáticos criados para os Iniciação à Arte Sequencial que seriam demasiado avançados para as estudantes de liceu, mas adicionou um módulo final dirigido para a criação de BD surrealista e experimental, a qual simultaneamente desagrega e respeita os critérios que fazem da narrativa visual uma arte também vanguardista. O projecto segue agora com coordenação do prof. Vitor Santos e colegas, e com os trabalhos práticos das 8 alunas.

2021-03-05

Crónicas de Enerelis: Volume 1 – Prelúdio [Ed. de Autor]

A autora estreante Patrícia Costa, apresentada na comunidade de banda desenhada portuguesa nos últimos anos com trabalhos curtos nas antologias Outras Bandas #0-1 e H-Alt #9, e também vencedora nos concursos de BD promovidos pelo 29º Amadora BD (1º lugar), e nos 13º e 14º BDteca: Salão de BD de Odemira (3ºs lugares), assim como no XVII Troféu Central Comics na categoria Melhor Obra Curta '2020, anunciou em Novembro passado o álbum de estreia, Crónicas de Enerelis: Volume 1 – Prelúdio.
A obra, que a artista idealiza desde 2005, mas que começou a materializar em 2018 na sequência do 1º curso Iniciação à Arte Sequencial, realizado por Susana Resende e promovido pela Câmara Municipal do Montijo, marca o início de uma nova série de banda desenhada fantástica e a introdução a um novo Mundo. Inspirada nos cânones manga e dirigida primeiramente ao público juvenil, a série pretende acompanhar o crescimento dos leitores e amadurecer em teor e contexto enquanto narra as aventuras do jovem aprendiz de magia
Eyren Caeli.

Prelúdio é a 1ª parte de duas, que perfaz o díptico inaugural da colecção, projectada para 16 livros. Proposto a financiamento público através da plataforma PPL, o projecto superou a meta (118%) e começou a ser distribuído aos apoiantes no final de Fevereiro. Para os interessados, a autora/editora imprimiu um número limitado de cópias adicionais, que podem ser adquiridos directamente a partir de 22 de Março. Adicionalmente, foi produzida uma edição especial com antevisão do Vol.2, que os leitores puderam adquirir na campanha e que levanta o véu do que se avizinha na conclusão desta primeira aventura, por publicar do mesmo modo no 2º semestre.
Em Enerelis, um dos três mundos paralelos à Terra, em paz há catorze anos, existem diversas raças e criaturas que nasceram graças à existência de duas forças opostas – Nox e Aether –, que atribuem aos seus habitantes capacidades extraordinárias. É neste mundo que Eyren Caeli, um jovem de doze anos, inicia uma longa jornada com o único objectivo de salvar uma pessoa. No entanto, o seu passado teima em assombrar todos os seus passos... O álbum, de 180 páginas de BD a preto-branco, inclui estudos e informação adicional sobre o mundo mágico e a sociedade de Enerelis.


Embora o panorama actual tenha impedido um lançamento tradicional do álbum, este será complementado pela exposição
Enerelis – A Criação de um Mundo”, na Casa Mora – Museu Municipal de Montijo, entre 19 Fevereiro e 24 Abril, que na duração do período de confinamento pode ser visitada através de vídeos e fotos na página do município no Facebook e Youtube.

Crónicas de Enerelis: Volume 1 – Prelúdio
(Edição de Autor)
Autora: Patrícia Costa

Álbum de BD | 196p | Impressão a P/B e Cores

1ª Edição: Fevereiro 2021 | 250ex. | PVP 22,00€

2021-03-03

Outras Bandas nomeado no 2º Prémio Bandas Desenhadas

O portal BandasDesenhadas, actualmente o mais dinâmico e informativo portal sobre BD em Portugal, lançou em 2020 o seu prémio para o sector, designado simplesmente Prémio Bandas Desenhadas. Este é organizado de forma diferente doutros prémios do país, pois elege para as várias categorias um nomeado por trimestre, fechando a pré-eliminatória com uma ronda extemporânea. O júri é composto por críticos e administradores do portal.
Para a 2ª edição, relativa a obras e autores de 2020, o PBD anunciou os nomeados finais, entre os quais constam o Outras Bandas #2
na categoria Melhor Antologia Nacional, e a BD “Fake News”, de Mário André, indicada para Melhor BD Curta Nacional editada em Antologia. Muitos parabéns!

2021-02-28

Leituras Tágide 3 – The Red Mother

A série The Red Mother, escrita por Jeremy Haun e com arte de Danny Luckert foi editada de Dezembro de 2019 a Janeiro de 2021 pela editora americana BOOM! Studios. A série ganhou destaque por ser indicada para possível adaptação para a TV, quando a BOOM! Studios realizou acordo com a Netflix, mas eu descobri-a na minha recente acção de formação por recomendação de uma aluna, e intrigou-me por ser um género literário que gosto: histórias de horror e de suspense. Neste caso, as referências populares a apontar-lhe seriam os filmes de culto Rosemary's Baby e Suspiria, também com creepypastas à mistura.
Em The Red Mother, existe uma óbvia tentativa de criar novas entidades sobrenaturais parecidas aos monstros de lendas urbanas, como a própria Red Mother que é inspirada em Hades da mitologia clássica, e o seu arauto cujo aspecto faz lembrar o Slenderman e os Kaonashi de A Viagem de Chihiro. A protagonista, Daisy McDonough, perde o namorado e um olho num assalto brutal e, enquanto tenta recuperar a sua vida e recebe acompanhamento psicológico, começa a ver estranhas visões com o olho prostético. Nessas visões encontra a entidade ancestral Red Mother, que quer atravessar para o nosso mundo...

As BDs são composta por três secções narrativas: uma página de abertura, fantasmagórica, que se estende em arco ao longo da série e toma dimensão profética; um prólogo que serve de mote à acção; e a história daquele número em concreto. Este esquema ajuda ao suspense e à tensão, mas também informa o conceito de outras dimensões que a série constrói e aos portais entre elas.
E como qualquer bom conto de horror, a BD lida com processos de luto, tanto pelo companheiro que Daisy perdeu como pela sua desfiguração, e o que acaba por ser mais interessante é a construção do suspense que avança a narrativa, mais do que a essência da história. Isto porque a influência de cânones do género, colagem de ideias genéricas e recurso ao mais básico folclore tornam a história trivial. Certos aspectos, como o surgimento de um novo romance ou a exploração de um síndrome científico que pode explicar o fenómeno que Daisy está a viver, desaparecem de súbito e sem causar grande impacto no desfecho da BD, e o bom ritmo que a história levava até ao 10º número é estragado por um 3º acto apressado e evidente. Se não fosse pela conclusão previsível, a série podia vir a ser considerada uma obra de relevo em BDs de horror.

Felizmente, a arte da BD compensa os aspectos óbvios do argumento, por usar uma boa planificação de pranchas e aplicar as grelhas ao serviço do ritmo da acção. Ora se usa esquema de nove vinhetas para acelerar a narrativa, ora se prende o leitor com painéis panorâmicos e cinematográficos. O desenho, pouco detalhado, é competente no retratar das figuras e cenários, mas a coloração em especial, sem ser grandiosa em efeitos ou em técnica, faz uso inteligente de uma paleta de cor estratégica, que invoca psicologicamente no leitor as sensações que as sequências procuram.
No geral, trata-se de uma boa leitura para fãs deste género de horror.

 -- Susana Resende

2021-02-27

Leituras Tágide 2 – X-Men: Elsewhen

Para quem seguiu as BD de super-heróis norte-americanos na década de 1980, há um autor cujo nome certamente ainda hoje é lembrado: John Byrne. Dono de um traço que sintetiza os maneirismos dos gigantes Jack Kirby e Neal Adams num único estilo coerente, Byrne afirmou-se como uma influência imensa de todos os amantes e praticantes do género, enquanto desenhador e co-argumentista dos X-Men, onde, ao lado do argumentista Chris Claremont, desenvolveu histórias incontornáveis como Dias de um Futuro Esquecido ou A Saga da Fénix Negra. Lançado para o super-estrelato e desagradado com o tom dado por Claremont aos scripts dos X-Men, Byrne seguiria uma carreira a solo carregada de outros grandes sucessos em séries como Quarteto Fantástico, Tropa Alfa, Hulk, Vingadores e a reinvenção do Super-Homem em Man of Steel, entre outras.

Volvidos quarenta anos e já "reformado", eis que Byrne decide regressar ao universo que o firmou entre as lendas dos comic books numa fanfic onde reimagina os "seus" X-Men a partir de uma simples premissa: E se a Saga da Fénix Negra tivesse terminado de modo diferente? E se a Fénix não tivesse morrido como aconteceu no mítico X-Men #137? Eis então o ponto de partida para X-Men: Elsewhen, uma série de aventuras "imaginárias" em que Byrne pega novamente nos mutantes a partir desse ponto na sua história e segue uma nova rota. O resultado é estranhamente familiar para aqueles de nós que leram os X-Men de Byrne e Claremont, mas ao mesmo tempo surpreendentemente diferente, procurando, até ao momento, distanciar-se de referências diretas à cronologia ou aos anos 80 e evitando paralelismos com o que entretanto Claremont imaginou e escreveu para a equipa durante a década após a saída de Byrne do título dos mutantes.


Assim, enquanto leitores, somos presenteados com novíssimas aventuras protagonizadas por versões clássicas dos heróicos Professor X, Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Colossus, Noturno, Kitty Pride e Wolverine, bem como novas adições como o enigmático Pablo Ascobar, sem esquecer ameaças clássicas como os Sentinelas, Fénix Negra e Magneto ou o retorno de personagens esquecidas como Jahf, um diminuto alienígena que Byrne havia introduzido precisamente no primeiro número dos X-Men que desenhou algures no final dos anos 70, facto que certamente não lhe terá passado despercebido. Aparições regulares de outras vedetas como Homem-Aranha, Vingadores, Quarteto Fantástico, Surfista Prateado ou Namor ajudam a alicerçar esta série no universo abrangente comum a essas outras figuras, rejeitando um certo hermetismo que tomou conta da versão oficial do(s) título(s) mutante(s) após a partida de John Byrne. Pelo meio, brilha principalmente a beleza e a atenção ao pormenor do desenho a lápis de Byrne que, do alto dos seus setenta anos, continua a desenhar magistralmente histórias que, contra-corrente, não procuram pregar ou subverter, mas simplesmente entreter.
 

Tratando-se para todos os efeitos de um webcomic, o autor publica uma prancha a lápis por dia, exceto aos fins-de-semana, num molde que faz lembrar o das tiras diárias dos jornais. Até ao momento, já foram publicados o equivalente a 19 números, sem aparente conclusão no horizonte. A série está a ser realizada sem qualquer espécie de fins lucrativos, podendo ser seguida e apreciada de graça no próprio site de John Byrne AQUI.
 
-- Pedro Cruz 
 
(A fase editorial dos X-Men que precede esta fan-fiction foi editada em Portugal nos álbuns Os Clássicos da Banda Desenhada: X-Men (Correio da Manhã/Devir/Panini) com as histórias "Segunda Génese", "Primeira Noite" e "Dias de um Futuro Esquecido", e em Heróis Marvel série II: X-Men - A Saga da Fénix Negra (Levoir))

2021-02-24

Outras Bandas #4 [Tágide]

O colectivo informal Tágide inicia actividade editorial em 2021 com Outras Bandas #4, um número especialmente dedicado à publicação de colegas do grupo que ainda não haviam (na grande maioria) contribuído para o fanzine.
Entre diversas bandas desenhadas curtas e também galerias de ilustração, esta antologia incluí trabalhos de teor melancólico e dramático por
Henrique Gandum, João Raz e Susana Resende, e outros de humor e sátira por Jorge RoD! Rodrigues e José Bandeira. E por último mas não de somenos, conta ainda com obras fantasiosas e míticas por artistas mais recém-chegados ao sector: Nuno Dias, Rui Serra e Moura, Tiago Martins – com um argumento desenhado por Daniel Maia – e Yves Darbos, também autor da ilustração de capa/contracapa deste número.

Enquanto que o mercado de BD nacional desperta do estupor, ainda fragilizado pela ausência de eventos e feiras, e limitado no acesso a livrarias, o colectivo Tágide, procura manter activa a produção independente no sector. Para tal, anunciou nos últimos meses o seu plano editorial para o presente ano, que inclui três novos números por semestre, assim como irá apoiar os esforços promocionais das publicações autorais dos seus membros, que anunciaram novas edições no prelo (e.g. Daniel Maia, Henrique Gandum, Mário André, Patrícia Costa, Pedro Cruz e Sérgio Santos, entre outros).


Outras Bandas #4
(Tágide)
Autores: Daniel Maia, Henrique Gandum, João Raz, Jorge Rodrigues, José Bandeira,
Nuno Dias, Rui Serra e Moura, Susana Resende, Tiago Martins e Yves Darbos
Ilustração de Capa/Contracapa: Yves Darbos
Edição/Produção: Daniel Maia e Eduardo Martins
Fanzine de BD/Ilustração | 40p | Impressão a Preto/Branco
1ª Edição: Fevereiro de 2020 | 100 exemplares | PVP 2,00€